IDENTIFICANDO  ÁRVORES  

A identificação de uma espécie de árvore pode ser relativamente simples em alguns casos mais comuns ou em que apenas um elemento (flor, fruto, semente, etc) define a espécie. Entretanto, na maioria dos casos torna-se mais difícil, mesmo tendo-se observado mais de um dos elementos.

Como normalmente utilizamos literatura especializada como referência é interessante notar como os autores divergem nos elementos que utilizam para a identificação:

- Rizzini (Árvores e Madeiras Úteis do Brasil) tem no final do livro um encarte com desenhos de todas as folhas das espécies que cita, e parece por isso utilizar este elemento como principal.

- Lorenzi (Árvores Brasileiras) mostra fotos com a árvore inteira, a flor, o fruto, a semente, o tronco e a madeira. Portanto uma observação bem mais abrangente.

- O livro “Flora da Reserva Ducke” do INPA (Amazônia), utiliza foto de folhas secas (talvez por ser mais prático, pois os coletadores trazem as folhas prensadas para serem fotografadas depois), além de foto de frutos, flores e, diferentemente dos outros, o detalhe das estípulas (base das folhas, onde se unem ao ramo principal) e o aspecto da seiva que corre ao se ferir o tronco. 

- Em todos porém, o básico é a descrição de alguns aspectos como:

1- Tronco – Se liso, rugoso, qual a cor, se solta cascas, se tem espinhos ou rizomas.

2- Folhas – Se são simples ou compostas (com vários folíolos), neste caso se são pinadas (dispostas aos lados de um eixo), digitadas (como os dedos, saindo de um mesmo ponto), e quantos folíolos. Tamanho e aspecto da folha ou folíolo (liso, áspero, como são as bordas, qual cor). Aspecto da nervura.

3- Flor - Cor, aspecto, tamanho, época de floração.

4- Fruto - Cor, aspecto, tamanho, época da ocorrência, se é comestível.

5- Semente - Tamanho, cor, aspecto.

6- Madeira – Cor, durabilidade, consistência, aplicações mais comuns.

7- Outras características – Como cheiro do tronco ou folhas, porte da árvore, distribuição dos galhos, ou até algum hábito da fauna com respeito à espécie, ou ainda aplicações especiais da madeira.

A metodologia científica tradicional para identificação é a utilização da “excicata”, que é uma parte da planta (folhas, flores até pequenos frutos, em um galho) prensados e secos em folha de jornal com uma etiqueta contendo data, local, nome de quem coletou e observações como altura, tronco, cor das folhas e flores, e o que mais tenha chamado a atenção.

Hoje já é bastante usual (apesar de não reconhecido cientificamente) fazermos uma “excicata virtual” escaneando um ramo com folhas e flores ao lado de uma escala. Perdem-se as características tridimensionais e tácteis, mas ganha-se nas cores reais e imagem das partes vivas.

Da mesma forma uma fotografia auxilia bastante a identificação, mas uma única foto não consegue pegar ao mesmo tempo características gerais e detalhes. Para se ter uma boa idéia da espécie são necessárias varias fotos, por exemplo:

-         Vista da árvore como um todo, mostrando o porte e altura. Se houver uma referência ao lado, como uma pessoa, animal ou casa é melhor, ou indicar a altura estimada.

-         Detalhe da folha, flor e fruto, podendo ser na própria árvore, em close, ou retirados e fotografados sobre uma superfície uniforme, ou o próprio chão. Neste caso é interessante colocar ao lado uma escala ou objeto de referência (lapis, caneta, moeda).

-         Detalhe do tronco. Muitas vezes se aproveita numa mesma foto o detalhe do tronco e da folha ou fruto, prendendo-os sobre este.

No meu caso, tenho várias árvores na região que ainda não consegui identificar, especialmente porque não apresentam flor e fruto. De outras tenho o nome popular, encontro um eventual nome científico que coincida, mas nenhuma literatura com descrição a respeito. Na seção de "desconhecidas" mostro algumas delas.

Veja abaixo um texto a respeito, extraído do livro “Flora da Reserva Ducke” – INPA-DFID

“Identificando Plantas:

                O mais importante ao identificar plantas é a forma de pensar. As plantas tem milhares de características, muitas das quais se repetem em várias espécies. Assim, a combinação de caracteres de uma planta pode imediatamente sugerir uma identificação ao botânico com experiência, mas pode ser muito difícil para este explicar por que determinado nome apareceu na sua mente. Certas plantas, ou grupos de plantas, têm um “jeitão”. Aprender “jeitões” é um processo pessoal que vem com a experiência prática. Neste livro procuramos providenciar atalhos para reconhecer esses “jeitões”, mas nada substitui a experiência individual. Às vezes é bom apenas olhar uma planta, deixar sua mente assimilar o “jeitão” e associa-lo com identificações já feitas, ou procurar os caracteres que chamem atenção. Com a prática esse processo se torna quase automático.”