SEMENTES E MUDAS - PLANTANDO ÁRVORES

 

Colhendo sementes e armazenando

 Quando se começa a estudar e gostar de árvores, o próximo passo naturalmente é querer produzir mudas e plantá-las, daí um interesse em intercâmbio de sementes.

Tenho colhido muitas sementes de espécies nativas, e tenho plantado, com muito sucesso em alguns casos, e alguma decepção em outros. Tenho também enviado e recebido sementes pelo correio, com outras pessoas que se correspondem comigo via Internet. Só envio sementes de espécies nativas e em pequenas quantidades.

As sementes nativas normalmente tem uma viabilidade curta, de forma que a melhor maneira de se obter boa germinação é plantá-las logo após colhidas. A maioria não germina depois de poucos meses.

 Algumas sementes tem germinação muito fácil e rápida, outras são extremamente difíceis e lentas. De uma forma geral tenho observado (como a lógica indica) que todas as espécies mais comumente usadas em paisagismo urbano tem germinação fácil e desenvolvimento rápido. As espécies endêmicas (exclusivas de uma região) normalmente são dificílimas de reproduzir. Também sementes da região do Cerrado são em geral de germinação muito difícil e pouca adaptabilidade em outros ecossistemas.

 Sementes de invólucro muito duro resistem mais ao armazenamento, mas nascem com mais dificuldade. Sementes macias nascem fácil, mas se perdem com facilidade, se armazenadas.

 Sementes colhidas em época de chuva podem ter seu ciclo de germinação iniciado, caso estejam úmidas no chão. Se este ciclo for interrompido, normalmente não mais germinam. Desta forma é melhor (quando possível) colher as sementes secas, e melhor ainda, as que ainda não caíram no chão, ou recém caídas.

  Germinando as sementes

 Colocar as sementes inicialmente em pequenos saquinhos plásticos (10 x15 cm), normalmente mais de uma semente por saquinho.

Utilizo terra com pouco adubo orgânico, e bem curtido, pois o esterco “verde” é muito acido e queima as raízes. Nunca usar adubo químico. Evitar terra argilosa, pois após molhado forma crosta na superfície e a semente não respira. A aeração das sementes é importante É preferível maior presença de areia, ou mesmo trocar a terra se perceber formação de crosta. Além disto,  regar sem permitir que se forme poça, ou seja, apenas na quantidade absorvida pela terra, sem encharcar.

  A forma de molhar os recipientes é muito importante para sementes muito pequenas, como  Quaresmeira, Calabura e Ficus, pois se a ação da água fizer com que as sementes mudem de posição, elas deixarão de germinar. Nestes casos recomenda-se que a água seja aspergida ou gotejada, sem que a terra se movimente. Outra forma é colocar o recipiente com as sementes sobre um prato com água, de modo que a mesma suba por capilaridade, umedecendo a terra. Depois repor a água sempre que secar.

 Tenho observado que as sementes nascem bem no inicio da primavera, por volta do final de agosto. Mesmo as que plantei em maio, por exemplo, nascem junto com as que planto em julho ou mesmo no inicio de agosto. No resto do ano elas germinam por igual, o atraso é mesmo só por causa do frio.

 Existem alguns costumes de quem planta sementes, que muitas vezes acato sem ter realmente uma comprovação científica. Um deles é de que sementes envoltas em polpa doce normalmente se perdem mais fácil pela reação do açúcar com o solo. Para armazena-las é preciso lavar bem, e deixa-las secar misturadas com cinza, para quebrar a acidez.

 Existe quem acredite que a semente deve germinar sem qualquer contato com material orgânico como esterco ou mesmo terra vegetal, pois pode haver proliferação de fungos que a atacariam. Desta forma colocam as sementes em recipiente com areia pura, mantendo boa umidade. A areia facilita a aeração da semente. Quando estão nascidas e bem pequenas, transplanta-se para saquinhos com terra adubada.

 Existem sementes secas, ou seja, que não estão envoltas em polpa. Estas devem ser armazenadas sem qualquer umidade (como exemplo, os ipês). Se forem colhidas em dias de chuva, deixar secar ao sol antes de armazenar.

Já as sementes úmidas, como Jabuticaba, pitanga, ingá e outras, podem perder o poder de germinação se ficarem completamente secas. Assim devem ser plantadas rápido, e se forem enviadas pelo correio, envolver em um papel úmido. Isto pode provocar o inicio de germinação. Não é problema, se for plantada rápido.

 Algumas sementes (como Palmito juçara) podem ser pré germinadas se guardadas úmidas dentro de um saco plástico escuro fechado, em local fresco e umido. Periodicamente se abre o saco para inspeção. Quando as sementes começarem a germinar, são colocadas em saquinhos com terra.

 Após a germinação:

As mudas ficam em ambiente semi sombreado (tomam sol direto apenas em uma parte do dia) e vou tentando separa-las conforme sua necessidade de mais ou menos sol, de acordo com a observação. Nos saquinhos que nascerem muitas mudas, elimino as mais fracas, deixando de 2 a 4 por saquinho.

A irrigação depende da época do ano. Em períodos de baixa umidade do ar é preciso molhar todo dia, em períodos de chuva, mesmo não tomando chuva diretamente, molho de 2 em 2 dias, ou mais.

Quando as mudas estão com uns 5 a 7 cm eu as transplanto para garrafas plásticas tipo pet 2 litros, com a parte superior cortada, e furos no fundo. Tenho o cuidado de separar as mudas pequenas, ficando uma por garrafa. Este tipo de garrafa não é o mais recomendado, pois as mudas ficariam melhor em sacos com maior volume de substrato, especialmente um maior diâmetro, porém é a forma mais prática, que me toma menos espaço, e até melhor para manuseio e transporte.

Uma alternativa é o plantio em caixas de leite longa vida, com furos no fundo. Apesar de conter menos substrato, são mais fáceis de armazenar por ocupar menos espaço, e não permitem a incidência de sol nas raízes, por serem opacas.

 Plantando em local definitivo:

 Quando estão com mais ou menos 25 a 35 cm de altura, eu as planto em local definitivo, tendo o cuidado de abrir o fundo da garrafa e puxa-la para cima, de forma que o cone de plástico sirva para defesa contra formigas.

A cova deve ser o maior possível. Aplico adubo orgânico no fundo da cova, misturado com a terra, depois o cubro com uma camada de terra pura, depois terra com adubo orgânico (esterco, serrapilheira, material vegetal em decomposição ou seco). As raízes expostas da muda não devem estar em contato com adubo ou esterco diretamente. Usar para encher a cova preferencialmente a terra da superfície, mais rica, e descartar a terra do fundo, ou utiliza-la como a última camada na superfície.

Quanto aos tamanhos mencionados para mudar de recipiente, deve-se levar em conta também o tamanho da raiz, pois se a raiz fica sem espaço para crescer, em algumas espécies a muda morre em pouco tempo. Da mesma forma, ao fazer o plantio definitivo, observar se a ponta da raiz está muito enovelada. Se estiver assim, cortar a ponta, pois é preferível para o desenvolvimento da pequena árvore que ela crie nova raiz do que crescer com a mesma toda deformada.

A melhor época de plantio é o inicio das chuvas, que aqui na região ocorre entre Setembro e Novembro. Plantar com o solo úmido e ter chuvas nos meses seguintes garante bom enraizamento, condição básica para a sobrevivência autônoma quando vier o período seco.

Cuidados no crescimento:

 Não costumo limpar totalmente a terra para o plantio, limpo apenas em volta da cova, e depois vou fazendo manutenção. Desta forma o ataque de formigas fica menor.

Os cuidados devem ser com formigas e grilos, que comem as mudas, e com o mato, que pode abafa-las. Quanto ao mato, fazer capina de coroamento periodicamente, até que a arvore atinja mais de dois metros. Quanto a formigas, serão mais agressivas quanto menor for a diversidade de flora no local. Se deixarmos vegetação nativa entre o espaçamento das covas elas terão mais diversidade de alimentação e não atacarão tanto as mudas. Quando aparecem em quantidade, uso formicida em isca, sempre em quantidade necessária, mas não em excesso.

Não planto espécies separadas, vou misturando todas. Porém procuro plantar sempre mais de uma muda da mesma espécie, para auxiliar a reprodução futura.

O espaçamento é em torno de dois metros, sempre de forma irregular (como na natureza), e deixo margem para uma seleção natural, ou seja, aquelas mudas que não estão se adaptando não recebem incentivo extra, a não ser em casos especiais

Durante o crescimento das arvores costumo atuar como arbitro, podando as que estão atrapalhando o crescimento das menores, tudo com bom senso e considerando as que mais prezo, por serem raras. A poda parcial é conveniente para melhorar a aeração e insolação, e por fornecer material orgânico para enriquecer o solo. À medida que este material vai se acumulando e decompondo, vemos claramente a melhoria das condições das mudas.

Adubo a cova antes do plantio, mantenho alguma cobertura morta em volta da muda, mas raramente faço adubações extras ao longo do desenvolvimento, a não ser quando observo que o terreno é muito pobre, aí cabe uma aplicação de adubo antes da primavera.

Devem ser consideradas as peculiaridades do meu terreno: No meu caso muito íngreme, acesso difícil, e estou reflorestando sem objetivo de lazer, ou seja, acesso de pessoas em volta.

Se eu estivesse plantando mudas em terreno plano, próximo da casa, e portanto com muito acesso de pessoas, provavelmente estaria usando outros métodos, com maior adubação, espaçamento ordenado, seleção de espécies, etc.

Sites de consulta:

Sobre Sementes e Mudas:

http://www.backnet.com.br/meioambiente/

http://www.amazonlink.org/sementesamazonia/index.htm

Sobre métodos de plantio de árvores nativas:

www.aipa.org.br

http://www.tudosobreplantas.com.br/?amigos_do_verde

http://www.paubrasilia.com.br/

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